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"Poesia pra quê?": Mesa celebra a poesia com os vencedores de um prêmio de literatura


  • “Por que precisamos de poesia?” traz os três primeiros colocados no Prêmio Alan Viggiano de Literatura para falar de suas relações com o mundo lírico.


FOTO: Mailson Furtado - Acervo pessoal


Desde seu nome, a mesa “Por que precisamos de poesia?” vai direto ao ponto. Colocando no mesmo plano a arte e seus impactos sociais, o bate-papo traz para tentar responder esta pergunta, tão antiga quanto as próprias artes líricas, um time de peso. A BDB Cultural recebe no dia 22, terça-feira, às 19h, os três primeiros colocados no Prêmio Alan Viggiano de Literatura, categoria poesia: Ildefonso de Sambaíba, Paulo Longuinho e Átila Rua. Os jurados do prêmio, Tagore Alegria, curador de literatura da BDB Cultural, e Mailson Furtado, vencedor do prêmio Livro do Ano no Jabuti em 2018, contribuem no debate.


“Um dos principais aspectos, no meu entender, para falar de poesia é falar da própria resistência enquanto humanidade. A poesia nos dá a oportunidade de subjetividade, de enxergar o mundo com olhares mais profundos, mais diversos, e permitir que a vida é um pouco mais possível, ainda mais nesse momento difícil que a gente vive, tanto pela pandemia como pelo caos político do presente. Debater poesia agora é um ato de resistência mesmo”, define Mailson Furtado. Ele, mesmo durante este conturbado presente, encontrou tempo para lançar um novo livro, Ele (2020), em que coloca em prática a diversidade: mistura os versos com crônicas, biografia e dramaturgia.


Enquanto Mailson fala da poesia como uma forma da humanidade resistir, para Ildefonso de Sambaíba esta forma de arte é o que o permite existir como indivíduo. “A poesia é uma forma de interação do homem com seus universos interno e externo desde priscas eras. Seja como deleite, como manifestação de dores e alegrias, ou mesmo como elemento de reflexão. Especificamente para mim, o mundo sem poesia seria como uma fonte esvaziada de suas essências. Eu me considero a um só tempo servidor e usuário da poesia, sem essa forma de expressão eu me consideraria um homem mudo”, diz.

Poesia: terra e memória

FOTO: Ildefonso de Sambaíba - Acervo pessoal

A conexão entre vida e palavra também guia o pensamento de Paulo Longuinho, mas em um sentido mais amplo. “A poesia é vida, a poesia é presença, é honrar o nascimento. O filósofo Bruno Latour troca a palavra ‘cultura’ pela palavra ‘terrura’, para falar da criação pensada na terra, se aproximando dela. Eu pego essa conexão e penso na poesia como ‘terrasia’. Poesia é construção, é lapidar palavras encantadas para tentar chegar ao estado de presença. Como Deleuze diz, é ver algo doce. Nesta mesa vamos conversar sobre essa presença doce, também salgada, às vezes, sobre esse presente, essa vida, essa morte, essa ressignificação da vida. E poesia é tudo isso”, afirma.

Provocado pela pergunta inicial que dá título à mesa, Átila Rua é o que caminha em uma direção mais distinta dos demais, aproximando poesia ao tempo e a memória. “Eu acho que falar sobre a serventia ou o propósito da poesia é complicado. Cada pessoa pode escolher uma quantidade muito própria de proximidades com a poesia. Não creio que a poesia tem um propósito, social ou não. A poesia é um jogo de permissões. Como uma marca breve, seus efeitos são mais concentrados, as unidades de consciência são maiores. Por se assemelhar com o tempo dos acontecimentos, por essa semelhança, acho que há uma atração com a memória gravada, com o que fica na lembrança”, conclui ele.

No intertítulo “Trechos dos poemas”, que encerra este texto, apresentamos algumas estrofes dos vencedores da primeira edição do Prêmio Alan Viggiano.

Sobre a BDB Cultural

A BDB Cultural é uma iniciativa do governo federal, por meio da Secretaria Especial de Cultura, do Ministério do Turismo, em parceria com a Biblioteca Demonstrativa do Brasil Maria da Conceição Moreira Salles (BDB) e, por meio de um termo de colaboração, com a organização social Voar Arte para a Infância e Juventude. A agenda que o projeto executará na BDB segue até março de 2022.

“Com a BDB Cultural, vamos renovar a prática de ser uma referência a outras bibliotecas do país para que elas possam abrir suas asas para voos mais altos e dar vida aos seus espaços”, diz o coordenador-geral da BDB Cultural, Marcos Linhares.

Para saber mais sobre os próximos cursos e eventos oferecidos, acompanhe as novidades da BDB Cultural no Youtube (https://www.youtube.com/c/BDBCultural), no Facebook (https://www.facebook.com/bdbcultural), Instagram (https://www.instagram.com/bdbcultural/) e no site www.bdbcultural.com.br da iniciativa.

Sobre os convidados


FOTO: Paulo Longuinho - Acervo pessoal


Mailson Furtado é cearense. Escritor, ator, diretor teatral e dramaturgo. É graduado em Odontologia pela Universidade Federal do Ceará. É autor dentre outras obras de À cidade [vencedora do 60º Prêmio Jabuti 2018 - categoria Poesia e livro do Ano]. Em Varjota/CE, cidade onde sempre viveu, fundou em 2006, a CIA teatral Criando Arte, onde realiza atividades de ator, diretor e dramaturgo, além de produtor cultural da Casa de Arte CriAr. Atualmente é Secretário de Cultura de Varjota.


Ildefonso de Sambaíba é um escritor maranhense, radicado em Brasília desde 1972. Integra a Academia Taguatinguense de Letras (Taguatinga-DF). Algumas de suas obras já editadas são Samjahlia – Versos in Versos, Vida de Vidro, Quem matou as gazelas? e Buquê de Urtigas.

Paulo Longuinho é um escritor brasiliense. Desenvolve trabalhos de Artes Visuais, música e literatura, tendo realizado exposições coletivas e individuais, performances poéticas e musicais. Recebeu prêmios de literatura e artes visuais e atualmente é professor de História da Arte.


Átila Rua é escritor autodidata, com modesta bagagem literária. Crê que, como na vida em geral, se erra nas palavras durante a tentativa de se chegar ao espírito. “Por mais que eu me descubra nesta longa jornada de rascunhos e esboços, não acho que eu possa acertar enquanto falo de mim, mas creio que o melhor está por vir”, como ele se autodefine.

Alguns trechos dos poemas vencedores


FOTO: Átila Rua - Acervo pessoal

Trecho do poema “Grito infinito”, de Ildefonso de Sambaíba

Mesmo aqui, neste sules

de uma Capital da Esperança,

ela se apaga, depois rebrota

como cerrado, das chamas,

para doar lobeiras ao guará

Trecho do poema "Cerrado de Sopros”, de Paulo Longuinho.

(...)A Gomeira é tão Brasília quanto a esperança.

Galopes de caules que fincam árvores no descanso do ar.

O cheiro fica perto e delapida a matéria.

Os sermões que meus ouvidos inventam alinham os seres do cerrado.

É por isso que eu passo a língua na palavra para comungar todos os dias(...)

Trecho do poema “Esperança, espere em paz”, de Átila Rua

Nada de virgens, ouro ou lágrimas

Pedi, discreta, um pouco de paz

Perdôo e esqueço todas as lástimas

Devolvo ao cerrado um corpo que jaz

Repouso enfim, sem mim, derradeira

Livre da dor, não há sofrimento

Hoje sou coisa, ícone, primeira

Esperei e ruí, sem queixa ou tormento.

Serviço:

BDB Cultural – Junho de 2021

Mesa “Por que precisamos de poesia?” recebe Ildefonso de Sambaíba, Paulo Longuinho, Átila Rua e Mailson Furtado. Mediação de Tagore Alegria.

22/06 - Transmissão no Youtube e no Facebook da BDB Cultural, às 19h.

Outras informações:

Site www.bdbcultural.com.br

Facebook.com/bdbcultural

Instagram - @bdbcultural

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