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“Não sabemos o que é fazer luto”, diz psicóloga em “Encontro terapêutico” da BDB Cultural


  • Enquanto o Brasil chora a morte de mais de 400 mil pessoas, incluindo a do humorista Paulo Gustavo, psicóloga conforta o público nas redes sociais da iniciativa, dia 17, às 19h

FOTO: Adriana Kortlandt - Foto SUILIAN RICHON - Divulgação

A pandemia de coronavírus já matou mais de 420 mil pessoas no Brasil e há previsões de que chegaremos, quase inevitavelmente, ao meio milhão. Uma doença com uma proporção tão avassaladora de vidas perdidas gerou um sentimento de luto que dificilmente pode ser superado. O “Encontro terapêutico” da BDB Cultural, porém, se propõe a ajudar. O evento mensal criado para o autoconhecimento do público da iniciativa vai diretamente à ferida aberta ao dedicar-se em maio ao “Luto em tempos pandêmicos”. A conversa com a psicóloga e escritora Adriana Kortlandt ocorre no dia 17, às 19h, nas redes sociais da BDB Cultural.

O primeiro tema que o “Encontro terapêutico” promete debater, porém, não é a dor provocada, mas a forma com que nos tornamos insensíveis à perda em um contexto em que as mortes se acumulam aos milhares. “A superexposição a um determinado fenômeno pode, sim, nos levar a um embrutecimento. Muitas pessoas estão esgotadas de tantas crises, crônicas e agudas ao mesmo tempo, então elas vão se fechando para a empatia e a compaixão. Não sabemos bem o que quer dizer ‘fazer luto’. A maioria de nós ignora o que dizer ou fazer diante de alguém enlutada, enlutado. É provável que esta pessoa nem consiga ficar em silêncio ao lado do outro, sinalizar a presença compassiva. Como (re)humanizar-nos enquanto sociedade? Esta pergunta fica no ar, mas vejo muitos pacientes investindo no caminho inverso ao do embrutecimento, e testemunhar isto é muito inspirador”, diz Adriana.

Uma das primeiras experiências de luto nacional duradouro durante a pandemia, porém, ocorreu recentemente com a morte do ator Paulo Gustavo. A importância desse processo é também avaliada pela escritora e psicóloga: “Há muitas formas de tentar compreender isto. Paulo Gustavo viveu — e sua memória vive — em um país tradicionalmente homofóbico e exatamente neste contexto, um ser humano assumidamente homossexual, super midiático, casado, pai de dois filhos, faz um sucesso estrondoso com talento, trabalho, persistência, autenticidade e carisma. Há estrelas magníficas brilhando em tempos obscuros. Ele era uma delas”, aponta.

A negação da pandemia, observada mesmo em famílias que foram atingidas pela pandemia diretamente, é um tema também do debate, em especial pela dificuldade em aceitar o luto quando não se tem a oportunidade de fazer uma despedida. “Esta é uma questão antiga e que atinge também famílias de seres humanos desaparecidos. A família pode ficar presa em um looping emocional, porque simplesmente não tem o corpo para chorar, para se despedir. O que eu faço com a minha esperança de que possa ter sido um erro, um engano? A médica pesquisadora de luto Elisabeth Kübler-Ross apresentou algumas fases do luto que podem ser reconhecidas: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Estas fases não são obrigatórias, e nem o percurso por elas o é. Cada ser humano é único, e assim é o seu sentimento. A presença desses estudos é, no entanto, fundamental, porque eles nos sensibilizam para nossa vulnerabilidade face às diversas mortes que farão parte de nossas vidas. É possível tornar esta despedida um ato imaginário, pela falta do corpo? Sim. Porém este ato precisa ser construído, cuidado, acalentado, e, se for necessário, com a ajuda de uma pessoa que destinou seu “tempo e experiência de vida” a acompanhar processos de mortes e separações”, conclui ela.

Sobre a BDB Cultural

A BDB Cultural é uma iniciativa do governo federal, por meio da Secretaria Especial de Cultura, do Ministério do Turismo, em parceria com a Biblioteca Demonstrativa do Brasil Maria da Conceição Moreira Salles (BDB) e, por meio de um termo de colaboração, com a organização social Voar Arte para a Infância e Juventude. A agenda que o projeto executará na BDB segue até março de 2022.

“Com a BDB Cultural, vamos renovar a prática de ser uma referência a outras bibliotecas do país para que elas possam abrir suas asas para voos mais altos e dar vida aos seus espaços”, diz o coordenador-geral da BDB Cultural, Marcos Linhares.

Para saber mais sobre os próximos cursos e eventos oferecidos, acompanhe as novidades da BDB Cultural no Youtube (https://www.youtube.com/c/BDBCultural), no Facebook (https://www.facebook.com/bdbcultural), Instagram (https://www.instagram.com/bdbcultural/) e no site www.bdbcultural.com.br da iniciativa.

Sobre Adriana Kortlandt

Adriana Kortlandt é escritora e psicóloga. Nasceu no Rio de Janeiro em 1963. Formou-se em psicologia na Alemanha e atualmente mora na França. Nesta profissão, direcionou suas atividades para a psicologia clínica com foco na terapia do trauma. Sua primeira publicação foi o livro Almagesto – Contos anímicos, premiado com menção honrosa na BEA 2013, Book Expo America, NY. Lançou em 2017 A casa da vida, em que narra as ações humanitárias de Maria da Glória Nascimento de Lima em Brasília, criadora de um abrigo para crianças.

Serviço:

BDB Cultural – Maio de 2021

“Encontro terapêutico” com a escritora e psicóloga Adriana Kortlandt.

17/05 - Transmissão no Youtube e no Facebook da BDB Cultural, às 19h.

Outras informações:

Site www.bdbcultural.com.br

Facebook.com/bdbcultural

Instagram - @bdbcultural

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