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Mesa redonda discute o papel das mães na formação de filhos leitores


+ Primeira atividade do mês da mulher recebe livreira e escritoras para uma discussão sobre como estimular a leitura e a imaginação dos filhos

+ Escritoras e livreira darão dicas práticas para que os responsáveis desenvolvam nos filhos uma relação de prazer com a literatura


*Foto: Foto da livraria Story Time - Rafa Zart/Arquivo Pessoal


Criar um filho já é o trabalho de uma vida. Fazer com que ele ainda desenvolva o hábito da leitura, porém, está se provando um desafio para muitos responsáveis. Como fazer o livro competir com tecnologias brilhantes e interativas de brinquedos e de dispositivos eletrônicos? A mesa de debates que abre a programação de março da BDB Cultural se compromete a responder essa difícil, mas necessária, questão.

Será apresentada no dia 05, sexta-feira, às 19h, uma mesa de literatura com o tema “Mulheres e sua função chave na leitura dos filhos”. O evento terá participações das escritoras Débora Bianca, Verônica Vicenza e da livreira Vanessa Telles, que criou uma livraria voltada especialmente para o público infantil em Brasília. Cada uma delas apresenta estratégias para ajudar os pais a formarem o hábito da leitura e o passo um dessa receita é unânime: que os familiares sejam leitores.


O exemplo imitável


Verônica Vicenza, autora de livros infantis, ressalta que por trás de um leitor sempre há uma figura que o apresentou a este mundo. “No meu caso foi a minha avó, que contava histórias para mim. Meus pais sempre tiveram livros, mas ela quem se aproximava e dedicava um tempo para me incentivar a imaginar. Quando eu comecei a ler para meus filhos, eu busquei imitar o exemplo dela. É fundamental que a criança tenha alguém que leia para ela, mas que veja também os adultos a seu redor lendo e se divertindo com isso”, ressalta.

Débora Bianca, entretanto, deixa claro que o objetivo do evento não é estabelecer apenas para a mãe mais uma obrigação em suas jornadas, mas enaltecer a importância do exemplo materno na iniciação de leitores. “Há um vínculo com a mãe e essa vontade de estar por perto, esse exemplo materno, ele fortalece muito o acesso da criança aos livros. Mas, claro, este papel não é só da mãe. O papel de formar crianças leitoras é de todo adulto, é da escola, é da família, é do pai”, defende ela.

A livreira Vanessa Telles convive diariamente com as dificuldades de responsáveis que querem incentivar o hábito leitor em seus filhos, mas não sabem por onde começar. Ela é dona da livraria Story Time, uma das primeiras de Brasília a se dedicar especialmente ao público infantil. “É óbvio para os pais que a leitura é o caminho, mas eles não sabem como fazer, ninguém lia para eles. Nosso trabalho é no sentido de educar os pais para que eles façam isso por seus filhos. Tem muitos pais que me perguntam: ‘como você faria a leitura dessa página?’ e eu os ensino. A escola, a sociedade exigem dos pais um contato com o livro. Ficam responsabilizando-os, mas muitas vezes eles não têm contato com isso antes. Nossa ideia é dar esse apoio ao pai, a mãe, a curadoria literária”, resume ela.


Outras dicas


Além da educação dos pais, que eles sejam leitores e se interessem pela leitura, as convidadas da mesa adiantam também algumas outras estratégias que os pais podem adotar. Débora Bianca recomenda: “Que a leitura seja um momento de prazer e não de cobrança. Não perguntar quantas páginas leu, ou seja, não tentar quantificar a leitura, mas qualificá-la. Se for divertido, a criança naturalmente vai ler mais, querer mais livros. Também é interessante deixar os livros acessíveis, à altura da criança, até dentro do cesto de brinquedos. Que a criança pegue o livro sem precisar pedir isso para o adulto”.

Uma linha semelhante, de tornar a leitura um exercício de entretenimento e convivência, é seguida por Verônica Vicenza. “A leitura não é só um hábito saudável, isso é a pontinha do iceberg. A leitura desperta uma reflexão, uma visão de mundo, tudo de forma divertida, e isso é muito significativo. Os livros, além da leitura, permitem ao adulto entrar no mundo da criança e se comunicar com ela. O livro pode ser uma ferramenta importante para trabalhar problemas emocionais das crianças, ele dá palavras e isso é inestimável”, diz ela.

A livreira Vanessa Telles reforça essa linha de pensamento. “O que é maravilhoso em dar um livro é que você está dando para a criança uma experiência de tempo de qualidade com um adulto, alguém que vai estar completamente imerso no universo da criança. Que sejam 10 minutos, são 10 minutos diferentes de estar jogando com o brinquedinho sozinho. O adulto vai brincar junto, vai perder a vergonha, fazer caras e bocas. Isso é um aprendizado também para ele, o pai, a mãe aprendem a não ter tanto controle, a passar para a próxima página, a parar no meio... Não respeitar a linearidade, se soltar, isso é um passo importante”, completa.

As dicas completas das convidadas e, claro, outras recomendações para as mães que almejam despertar um interesse pela leitura, tudo isso estará na mesa redonda da BDB Cultural. É nesta quinta-feira, dia 04, às 19h. A mediação é do editor de livros e curador literário da iniciativa, Tagore Alegria.


Sobre a BDB Cultural


A BDB Cultural é uma iniciativa do governo federal, por meio do Ministério do Turismo, em parceria com a Biblioteca Demonstrativa do Brasil Maria da Conceição Moreira Salles (BDB) e, por meio de um termo de colaboração, com a organização social Voar Arte para a Infância e Juventude. A agenda que o projeto executará na BDB segue até março de 2022.

“Com a BDB Cultural, vamos renovar a prática de ser uma referência a outras bibliotecas do país para que elas possam abrir suas asas para voos mais altos e dar vida aos seus espaços”, diz o coordenador-geral da BDB Cultural, Marcos Linhares.

Para saber mais sobre os próximos cursos e eventos oferecidos, acompanhe as novidades da BDB Cultural no Youtube (https://www.youtube.com/c/BDBCultural ), no Facebook (https://www.facebook.com/bdbcultural ) e no Instagram (https://www.instagram.com/bdbcultural/ ) da iniciativa.


Sobre as convidadas


Verônica Vicenza é mãe e escritora, autora de nove livros infantis. Gaúcha radicada em Brasília, é diretora de literatura infantil do Sindicato de Escritores do DF. Faz contações de história com a participação de seus filhos gêmeos, Carlos Henrique e Arthur. “Eles têm uma personalidade leitora completamente diferente da minha”, diz.

Débora Bianca é mãe, professora e autora também de nove livros infantis. Nasceu em Santos-SP e chegou em Brasília, junto com sua família, aos 05 anos de idade. Dedicou sua vida profissional à educação durante 32 anos. Fez mestrado em Gestão e Políticas Públicas Educacionais com enfoque em "Violência Escolar".

Vanessa Telles é mãe, educadora e livreira. Fundou em 2020 a livroteca Story Time, em Águas Claras-DF, que presta um serviço de curadoria de leitura para os pais.


Serviço:


BDB Cultural – Março de 2021

Mesa de literatura com o tema “Mulheres e sua função chave na leitura dos filhos” com as escritoras Verônica Vicenza, Débora Bianca e a livreira Vanessa Telles.

05/03 - Transmissão gratuita da palestra no Facebook e no Youtube da BDB Cultural às 19h.

Outras informações:

Facebook.com/bdbcultural

Instagram - @bdbcultural

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