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Literatura para jovens adultos encerra atividades de março


BDB Cultural recebe as escritoras Marina Oliveira e Priscilla Castro que comentam suas obras e vivências no dia 31, às 19h


FOTO: Escritora Marina Oliveira - Arquivo Pessoal- BDB Cultural


Embora jovens, Marina Oliveira e Priscilla Castro já têm anos de estrada. Ambas publicaram seus primeiros livros aproximadamente na mesma época, há cinco, seis anos, e isso antes de completarem 25 anos de idade — no caso de Priscilla, muito antes, aos 16. Essas autoras desenvolveram, desde então, uma comunicação muito direta com seu público, que tem uma idade próxima a delas. Essa faixa de leitores, os jovens adultos, o público dos “20 e poucos” anos, e as relações do mercado editorial com eles formam o tema da mesa de debates que finaliza a programação de março da BDB Cultural, no dia 31, às 19h.

É curioso que embora as autoras ainda estejam nessa faixa-etária e que tenham começado sua carreira artística mirando neste público juvenil, tanto Marina como Priscilla agora buscam outros horizontes em sua literatura. A conversa, porém, não ganha tintas saudosistas ou fica fora de lugar por conta disso. Ambas avaliam que a literatura y.a. (para jovens adultos, do young adult do inglês) tem justamente como função construir uma ponte que conecta o leitor dos temas infantis aos grandes dramas sociais e individuais da vida adulta.

“Essa faixa-etária de escrita está muito em alta e é maravilhosa por que você pode tratar de todos os temas, de todas as formas, com fantasia, com realismo... Então o y.a. supera um gênero, ele está mais na idade dos personagens que em um estilo”, diz Marina. “Eu não acho que seja uma literatura menor, como acusam, que tenha menos valor. É uma fase importantíssima para o leitor. Forja seu imaginário, sua identidade e o que você vai ler daqui para frente. Eu não teria consumido tantos livros da faculdade de direito, por exemplo, se não tivesse formado meu amor pela leitura cedo”, completa Priscilla.

Um mercado promissor


FOTO: Escritora Priscila Castro- Arquivo Pessoal - BDB Cultural


Apesar de sua importância e de sua aceitação pelo mercado com fenômenos como Meg Cabot, o y.a. ainda enfrenta resistência por parte da crítica literária no Brasil e a quantidade de autores brasileiros a ocupar essas prateleiras ainda é pequena. “Era bem pior antes [a participação nacional]. Hoje em dia está melhor, mas tem muito a melhorar ainda. Eu percebo que a recusa do mercado em absorver levou a uma série de estratégias de auto-publicação que preencheram esse vácuo”, diz Marina.

Essa nova visão da escrita, que prescinde a publicação, está chegando também a uma restrição até no digital. Ambas as convidadas acreditam que já vivemos o momento em que é possível ser um escritor que não faz livros, com uso de ferramentas como o Wattpad ou mesmo o Instagram. “O mercado não está desaparecendo, ele se modifica. O escritor não pode perder o contato com seu público, ele tem que estar presente nas redes sociais e lá ele é dono do meio. Eu, por exemplo, publico minhas crônicas no Instagram. Falando do dia a dia, da quarentena, do cancelamento, tudo que vivo, e ali eu tenho um retorno muito mais imediato”, diz Priscilla.

O trabalho mais recente de Marina também tem uma publicação em um formato inesperado, As incertezas da fortuna (2021) tem tido capítulos mensais publicados em uma newsletter. “Estamos migrando para outros tipos de literatura. As formas de ler não competem entre si, não é a morte do livro, de nada. É tudo convergindo, tudo conversa entre si. Temos só que acompanhar essas mudanças nas formas de leitura", diz Marina.

Escritas para jovens indivíduos

O escritor y.a. tem uma responsabilidade semelhante à do infanto-juvenil: escrever para pessoas ainda em formação, para identidades que ainda estão em experimentação. Marina e Priscila divergem sobre os impactos que isso pode acarretar. “É preciso ter maturidade. Se você não tiver um olhar global, é provável que sua história flope. Se você não cuida bem das formas que você se posiciona, você pode cair no temido cancelamento. Mas, claro, todo mundo erra, só devemos aprender com os tropeços e não insistir neles”, afirma Marina.

“Acho que todo escritor tem responsabilidade e liberdade. Autor algum pode escrever sem ter respaldo, sem levar a sério o assunto que está escrevendo. A responsabilidade do autor, eu acho, deve ser consigo, de manter uma coerência consigo, ter comprometimento com o que escreveu. Mas o impacto que isso pode ter em novos leitores faz parte de um senso do leitor ou de seus responsáveis”, posiciona Priscilla.

As escritoras aproveitam a mesa para dar também conselhos para quem quer se tornar um escritor voltado para esse público. “Não espere até estar pronto. Eu não esperei e isso fez toda diferença para mim, aprendi muito, coisas boas e ruins. Você não precisa que alguém te descubra, você pode agir por você desde já. Escrita é um exercício. Escreva e publique”, conclui Priscilla.

A entrevista com Marina termina em um tom parecido: “Escreva, antes de tudo. Tenha a consciência de que a primeira versão pode não ficar boa e está tudo bem. Conheça quem escreve parecido, converse com esses autores, ter esse contato é importante para entender como funciona esse universo. E, sobretudo, o fundamental: leia”. A transmissão do bate-papo será nas redes sociais da iniciativa, no Facebook e no Youtube. A mediação é do editor de livros e curador literário da iniciativa, Tagore Alegria.

Sobre a BDB Cultural

A BDB Cultural é uma iniciativa do governo federal, por meio do Ministério do Turismo, em parceria com a Biblioteca Demonstrativa do Brasil Maria da Conceição Moreira Salles (BDB) e, por meio de um termo de colaboração, com a organização social Voar Arte para a Infância e Juventude. A agenda que o projeto executará na BDB segue até março de 2022.

“Com a BDB Cultural, vamos renovar a prática de ser uma referência a outras bibliotecas do país para que elas possam abrir suas asas para voos mais altos e dar vida aos seus espaços”, diz o coordenador-geral da BDB Cultural, Marcos Linhares.

Para saber mais sobre os próximos cursos e eventos oferecidos, acompanhe as novidades da BDB Cultural no Youtube (https://www.youtube.com/c/BDBCultural), no Facebook (https://www.facebook.com/bdbcultural) e no Instagram (https://www.instagram.com/bdbcultural/) da iniciativa.

Sobre as convidadas

Marina Oliveira é escritora, jornalista e “grande exploradora da própria imaginação”. Autora do livro A parede branca do meu quarto (2015) e do folhetim As incertezas da fortuna (2021). Nasceu em Brasília, mas pertence ao mundo, como uma típica sagitariana.

Priscilla Castro é escritora, estudante de direito e autora do livro Audaz (2016), publicado quando ela tinha 16 anos. Atualmente escreve crônicas para seu blog e suas redes sociais.

Serviço:

BDB Cultural – Março de 2021

Mesa sobre literatura para jovens adultos com as escritoras Marina Oliveira e Priscilla Castro. Mediação de Tagore Alegria.

31/03, 19h - Transmissão gratuita da palestra no Facebook e no Youtube da BDB Cultural.

Outras informações:

Facebook.com/bdbcultural

Instagram - @bdbcultural

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