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Escritores premiados celebram Dia do Livro Infantil na BDB Cultual




Os vários caminhos da literatura infantil, do humor ao horror, serão tratados na palestra nas redes sociais da iniciativa


A transmissão da conversa com a escritora Gisele Gama e os escritores Roger Mello e Jonas Ribeiro será no dia 16, às 19h


FOTO: Lee Sun Hyun - Divulgação - BDB Cultural


Era uma vez. Assim começam várias histórias para crianças, um universo cheio de encantamento, desenhos, mas também repleto de complexidades. Há livros infantis sobre repressão, sobre preconceito, sobre doenças. A literatura infantil é um universo que não pode ser resumido como um gênero só, para além dos contos de fada há espaço para humor, para didatismo e até para terror, garantem os escritores Roger Mello e Jonas Ribeiro e a escritora Gisele Gama.

Esse trio premiadíssimo de autores infantis dará o tom da palestra “A magia do livro infantil”, que será transmitida nas redes sociais da BDB Cultural no próximo dia 16, às 19h. Com mediação do editor de livros e curador literário da iniciativa, Tagore Alegria, a mesa promete tratar das várias camadas da literatura infantil e também do leitor criança — muitas vezes tomado como alheio pelos adultos, mas que pode ser um crítico formidável, segundo os autores convidados.

O leitor criança


FOTO: Gisele Gama 1 - Acervo Pesoal - BDB Cultural


"A literatura é um ensaio pra vida, uma forma maravilhosa de ampliar o universo. Quanto mais cedo a criança começa a ler, mais cedo consegue viver uma série de experiências sem necessariamente precisar passar por aquilo. A literatura tem o poder de fazer existir e coexistir em um espaço de diversidade e por isso não se deve fugir dos temas complexos. Por exemplo, no meu livro chamado Vó Zoe eu falo sobre a morte da avó. Imagina como é importante e delicado para criança saber que a morte faz parte da existência humana. A gente se distanciou muito desses temas naquilo que se entende como educação. Estamos deixando de falar sobre o que realmente importa”, diz Gisele Gama.

O pensamento da autora é acompanhado por seu colega, Roger Mello, que também é ilustrador. “Há autores que desconhecem seu público leitor e acham que para fazer um livro infantil basta ter uma mensagem edificante e explicar tudo bem explicado. Não necessariamente um livro infantil será facilmente entendível. Todas as crianças são diferentes, as complexidades humanas em uma criança são as mesmas do adulto. Então não há tema proibido, não há forma proibida. É essa a mágica da literatura infantil: experimentar. A literatura infantil do Brasil é riquíssima, muito premiada e o é justamente por fazer o livro que não é o livro que se espera. Não é à toa que o Brasil tem três prêmios Hans Christian Andersen”, afirma, citando o troféu máximo internacional da literatura infantil, entregue a cada dois anos desde o fim da década de 1950. Foram premiados do Brasil o próprio Roger Mello, em 2014, além de Lygia Bojunga (1982) e Ana Maria Machado (2000).

O escritor Jonas Ribeiro vai em uma linha semelhante à de seus colegas. “Tudo o que o livro desencadeia na gente tem um reflexo nas nossas ações. Tudo o que nós lemos vai para uma gaveta do inconsciente e quando na vida real abrimos essa gaveta, achamos algo novo. É assim com as crianças e é também assim com adultos. A leitura traz isso, as ferramentas estão embaixo das frases, mas o trabalho emocional é do leitor que as utiliza e transforma. Uma pessoa leitora, de qualquer idade, ela está em constante mutação. A que nega ler talvez esteja calcada no receio do crescimento. Afinal, quando eu cresço sou responsável por cuidar de um novo eu”, afirma o escritor.

Simples e efetivo


FOTO: Jonas Ribeiro - Acervo Pesoal - BDB Cultural


“A magia do livro infantil” será transmitida, como falamos, no dia 16, dois antes do Dia Nacional do Livro Infantil (18 de abril). A data também é conhecida como Dia de Monteiro Lobato, considerado um dos mais importantes escritores da literatura brasileira.

Por isso, a iniciativa decidiu começar do começo: celebrando a literatura feita para o público infantil e mostrando que mesmo para crianças nenhum tema é proibido. Ainda assim, claro, há uma forma: as palavras e a duração do livro infantil têm de ser muito bem pensadas para alcançar seu público. Essa condensação que dá uma aparência de simples ao livro é, para os autores convidados, a coisa mais difícil de se alcançar.

"Ser simples é o maior desafio do artista e ser entendido por pessoas simples é um mérito colossal. Ser simples é como fazer haicais, aqueles poemas pequenos da cultura japonesa, você usa pílulas de linguagem. Às vezes, um livro de 500 páginas não conseguiu tocar o leitor com a mesma força de um livro infantil com o começo, meio e fim bem definidos. Muito mais difícil do que escrever linhas é escrever entrelinhas”, diz Jonas.

"É mais difícil fazer livro infantil que fazer um pra adulto. Nós, escritores, somos adultos, então precisamos exercitar uma sensibilidade muito grande para se aproximar da criança. E sempre digo que o singelo pode ser genial. O passeio de Rosinha, por exemplo, é um livro com um texto curto, bobo até, mas que quando lido em conjunto com as ilustrações ele ganha uma dimensão absurda. A ilustração nega o que o texto diz, ela joga com o leitor de uma forma muito complexa. É emocionante, é inteligente, mas é simples. E isso não é pouca coisa. A palavra no infantil tem que ser perfeita, muito bem escolhida e isso gera metáforas profundas. Eu, por exemplo, nunca li um livro sobre ditadura melhor que A jararaca, a perereca e a tiririca. Ele nos ensina que não precisa explicitar, jogar o conteúdo na cara do leitor para que ele entenda. Todo livro é formativo, todo livro será importante, mas os melhores livros são os que especulam, que deixam para o leitor um exercício de filosofia. E criança adora isso, não se engane”, afirma Roger.

“No geral, tem muita literatura infantil, mas pouca literatura pra criança. Hoje temos duas situações: ou você tem uma literatura que desmerece a criança com uma linguagem que idiotiza e menospreza a intelectualidade dela com muito versinho, personagens metafóricos, como se a criança vivesse em um mundo à parte. Ou você tem uma literatura vazia que se distancia demais. Por exemplo, a minha inspiração para escrever Sara e sua Turma veio da minha filha adotada e negra. Eu percebi as dificuldades que a Sara passava na escola e assim começou meu diálogo com ela pela literatura. A criança é direta e para conversar com ela, o adulto precisa acionar a sua criança interior. É difícil falar de temas complexos sem que ela se desinteresse, a criança é mais autêntica. Ela é mais observadora e sempre tem perguntas novas, se você adulto elabora demais pra responder, a criança vira as costas e vai embora”, conclui.

Sobre a BDB Cultural

A BDB Cultural é uma iniciativa do governo federal, por meio da Secretaria Especial de Cultura, do Ministério do Turismo, em parceria com a Biblioteca Demonstrativa do Brasil Maria da Conceição Moreira Salles (BDB) e, por meio de um termo de colaboração, com a organização social Voar Arte para a Infância e Juventude. A agenda que o projeto executará na BDB segue até março de 2022.

“Com a BDB Cultural, vamos renovar a prática de ser uma referência a outras bibliotecas do país para que elas possam abrir suas asas para voos mais altos e dar vida aos seus espaços”, diz o coordenador-geral da BDB Cultural, Marcos Linhares.

Para saber mais sobre os próximos cursos e eventos oferecidos, acompanhe as novidades da BDB Cultural no Youtube (https://www.youtube.com/c/BDBCultural), no Facebook (https://www.facebook.com/bdbcultural), Instagram (https://www.instagram.com/bdbcultural/) e no site www.bdbcultural.com.br da iniciativa.

Sobre os autores

Gisele Gama é escritora. Com pós-doutorado em educação e mais de 80 títulos publicados (traduzidos para várias línguas) têm a sua obra Sara e sua Turma reconhecida mundialmente em países como Alemanha, EUA e especialmente no Japão – país que abraçou a obra com muita reverência. Recebeu o título de Embaixadora da Paz na Áustria em reconhecimento aos serviços prestados à infância.

Jonas Ribeiro é escritor. Nascido em São Paulo vive atualmente em Embu-Guaçu onde encontrou qualidade de vida cercado de árvores. “Me organizei muito cedo para viver da literatura e para literatura, com isso o tempo caminhou ao meu lado. Aos 50 anos, com 155 livros e mais de 1.500 escolas visitadas eu sou essencialmente escritor. Quero continuar escrevendo livros que façam sentido pra mim, que sejam simples, que abracem o outro, que tenham aroma, que renovem e que façam sorrir.”

Roger Mello é escritor e ilustrador. Brasiliense, nasceu em 1965. Recebeu o prêmio suíço Espace-enfants em 2002 e no mesmo ano foi vencedor do prêmio Jabuti nas categorias literatura infanto-juvenil e ilustração com Meninos do mangue. Em 2014, venceu prêmio Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da literatura infanto-juvenil. Com vários trabalhos premiados, tornou-se hors-concours dos prêmios da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ).

Serviço:

BDB Cultural – Abril de 2021

Mesa de debate “A magia da literatura infantil’ com a escritora Gisele Gama e os escritores Jonas Ribeiro e Roger Mello.

16/04 - Transmissão da mesa de debate no Facebook e no YouTube da BDB Cultural, às 19h.

Outras informações:

Site: www.bdbcultural.com.br

Facebook.com/bdbcultural

Instagram - @bdbcultural

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