Buscar
  • BDB Cultural

Encontro do Dia do Escritor reúne três visões sobre o ofício


  • João Doederlein (AkaPoeta), Letícia Wierzchowski e Deborah Dornellas debatem em um encontro nas redes sociais da BDB Cultural no Dia do Escritor, 25, domingo, às 17h



FOTO: Letícia Wierzchowski - Carin Mandelli - Divulgação Intrínseca


Além do desafio de inventar universos e tentar traduzir a profundidade do mundo em palavras, o ofício de ser escritor encontra percalços específicos no Brasil. Para debater as dores e as delícias de serem escritores, a BDB Cultural recebe três profissionais da palavra de diferentes pontos do mercado editorial para uma conversa no Dia do Escritor, 25, domingo, às 17h. O bate-papo reúne João Doederlein, o AkaPoeta de O livro dos ressignificados; Letícia Wierzchowski, de A casa das sete mulheres; e Deborah Dornellas de Por cima do mar.


Apesar de os três atuarem em áreas da literatura distintas, eles trazem em comum uma jornada de gradual aceitação, marcada por percalços e dúvidas, sobre o uso da palavra “escritor” para se autodefinirem. É comum que escritores enfrentem uma resistência interna e externa quando começam a adotar este rótulo, como explicam eles.


“O meu nome artístico, Aka Poeta, foi criado para brincar com esse rótulo... Além da aversão natural que a gente tem de se definir, a partir do momento que você se estabelece, se abre o espaço para a questão: ‘será que eu estou fazendo isso certo?’. E é difícil saber. Não existe um diploma que dê o título de escritor. A pessoa tem que se sentir. A validação do público conta muito, mas é tudo uma sensação. Eu até hoje gosto de brincar com esse rótulo: tenho uma tatuagem no braço que diz ‘ce ne se pas à poète’, em referência ao Magritte. É que eu acho que as coisas podem passar por momentos mais fluidos de se ser e de não ser aquilo que se espera e tá tudo bem”, sustenta Aka.



FOTO: Deborah Dornellas - Acervo pessoal


“Essa questão é natural no começo do caminho. Não podemos nem chamar de carreira, já que no mundo da arte não tem uma garantia, não tem um diploma. Quando um escritor passa a ser um escritor? Quando ele publica? Mas e se ele não publicou nada ainda, mas escreve todos os dias? Eu já passei por isso. Foi só na publicação do meu segundo, terceiro livro que eu passei a me apresentar como escritora, com uma dedicação integral. Foi só aí que me senti dona deste direito. Aí logo depois aconteceu A casa das sete mulheres, e foi complicado também passar para esse novo estágio de reconhecimento. É sempre uma coisa complicada e sutil estabelecer o que avaliza a alguém ser um escritor”, diz Letícia.


“Realmente é individual esse reconhecimento. Pra mim, eu só comecei a me olhar como escritora quando comecei a publicar, quando entrei em um coletivo literário e me entendi como artista. Ali, depois que publiquei um romance e recebi minha primeira resenha, eu me senti mais segura. Mas não é ter vergonha do título, ao contrário, é que a gente acha que não está a altura do reconhecimento de ser um escritor, então como cada um reconhece esse impacto em si mesmo para estar seguro é algo muito pessoal”, complementa Deborah

A jornada do escritor no Brasil

FOTO: Aka Poeta - Divulgação Companhia das Letras


Além da inquietante dúvida sobre si mesmo e sobre o impacto que as produções que está fazendo podem ter, o escritor ainda tem de enfrentar dificuldades específicas do contexto brasileiro, com uma desvalorização social dos ofícios artísticos e um público que já lia pouco e parece ler cada vez menos. Mas cada um dos convidados da mesa da BDB Cultural acredita em respostas possíveis para reconectar os textos com o público.


“Mesmo nos que há mais leitores que o Brasil, como a Inglaterra, há uma tendência de se manter consumindo best-sellers e autoajuda. Claro, ler é sempre bom, mas o que digo é que não costuma ser um hábito majoritário ou uma carreira muito estável. O que acontece é que no Brasil o cenário é pior, não só falta o incentivo, há uma desvalorização constante. Se trabalham poucos livros nas escolas e sempre os mesmos, os investimentos ficam paralisados, iniciativas não encontram apoio. Assim, há gente que gosta de ler muito, mas conhece poucos escritores. Nesse contexto, uma biblioteca como a Demonstrativa tem essa função de apresentar outros títulos, de entregar o livro de graça para o leitor. É um começo para mudar este quadro”, aponta Deborah.


“Eu não sou pessimista, há muita gente que lê no Brasil, mas a cultura e a educação são sempre sucateadas e desvalorizadas. Eu acho que o que podemos mudar é a forma com que a literatura é trabalhada no âmbito educacional, envolvendo uma prova que invalida as experiências pessoais de leitura. Eu já encontrei leitores que viram coisas em meus livros que eu não tinha visto, às vezes a gente passa mensagens do inconsciente coletivo, uma mistura de intuição com planejamento, e isso desperta um profundo gosto por ler. Não devemos operar em um plano de obrigação, o cardápio é vasto e ninguém deve escolher por você”, afirma Letícia.


“Eu sempre vi uma resistência à literatura, que é sempre tomada como elitista, de dificil acesso. Um livro nunca foi um produto barato. As livrarias estão nos shoppings, no mundo da classe média. Então quando os escritores começaram a trabalhar com suas imagens além das palavras, com linguagens mais acessíveis, mais comuns, como o Instagram, no meu caso, a gente foi aproximando da poesia pessoas que não tinham contato com a arte. Ouvi de muita gente que meu livro era o primeiro que elas tinham lido por prazer. Eu acho, então, que as possibilidades sempre passam por uma diversificação, por estar presente em todos os estilos e espaços. Uma forma de narrar não exclui a outra, não existem confrontos. A gente, na verdade, se retroalimenta. Um livro não se encerra em seu conteúdo. É como uma pilha de dominós que nunca cai, só ganha novas peças”, conclui João.

Sobre a BDB Cultural

A BDB Cultural é uma iniciativa do governo federal, por meio da Secretaria Especial de Cultura, do Ministério do Turismo, em parceria com a Biblioteca Demonstrativa do Brasil Maria da Conceição Moreira Salles (BDB) e, por meio de um termo de colaboração, com a organização social Voar Arte para a Infância e Juventude. A agenda que o projeto executará na BDB segue até março de 2022.

“Com a BDB Cultural, vamos renovar a prática de ser uma referência a outras bibliotecas do país para que elas possam abrir suas asas para voos mais altos e dar vida aos seus espaços”, diz o coordenador-geral da BDB Cultural, Marcos Linhares.

Para saber mais sobre os próximos cursos e eventos oferecidos, acompanhe as novidades da BDB Cultural no Youtube (https://www.youtube.com/c/BDBCultural), no Facebook (https://www.facebook.com/bdbcultural), Instagram (https://www.instagram.com/bdbcultural/) e no site www.bdbcultural.com.br da iniciativa.

Sobre os convidados

João Doederlein, que assina com o pseudônimo akapoeta, é autor de O livro dos ressignificados, Coração-Granada e Para ressignificar um grande amor, conquistou mais de 1 milhão de leitores com suas palavras. Nasceu em Brasília, em 1996, e começou a escrever aos onze anos, quando se apaixonou pela arte de contar histórias. Hoje é um dos autores brasileiros mais conhecidos de sua geração.

Leticia Wierzchowski nasceu em Porto Alegre, RS, em 1972. Estreou na literatura em 1998 com seu romance O anjo e o resto de nós. Com 27 livros publicados, entre ficção adulta e infantil, tem obras editadas em Portugal, na Espanha, Croácia, Alemanha, França, Itália, Grécia, Sérvia e Montenegro. O livro A casa das sete mulheres, sua principal obra, foi adaptado para a televisão pela Rede Globo em 2003 numa série de 50 capítulos, veiculada em mais de 40 países.

Deborah Dornellas é escritora, jornalista e artista visual. Carioca criada em Brasília. Mestra em História Cultural (UnB) e pós-graduada em Formação de Escritores (ISE Vera Cruz- SP). Em 2012, publicou Triz (In House), livro de poesia. Desde 2013, integra o Coletivo Literário Martelinho de Ouro e participa de todas as publicações do grupo. Seu romance de estreia, Por cima do mar (Patuá, 2018), também ilustrado pela autora, venceu o Prêmio Literário Casa de las Américas 2019, na categoria “Literatura Brasileira”, e foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura no mesmo ano. Deborah vive atualmente em Brasília e prepara seu próximo livro, uma coletânea de contos.

Serviço:

BDB Cultural – Julho de 2021

Mesa do Dia Nacional do Escritor recebe AkaPoeta (O livro dos ressignificados), Letícia Wierzchowski (A casa das sete mulheres) e Deborah Dornellas (Por cima do mar) para um conversa sobre o ofício.

25/7 - Transmissão no Youtube e no Facebook da BDB Cultural, às 17h.

Outras informações:

Site www.bdbcultural.com.br

Facebook.com/bdbcultural

Instagram - @bdbcultural

16 visualizações0 comentário