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“Empoderadas” se reúnem em mesa especial do Dia da Mulher


No dia 8 de março, segunda-feira, às 19h, a BDB Cultural realiza o evento “Mulheres empoderadas: diferentes visões, diferentes versões”


Evento contará com falas da rapper Rebeca Realleza, da professora da UnB Sônia Marise e da diretora do IBICT, Cecília Leite.


FOTO: Rapper Rebeca Realeza - Barbara Portela/Divulgação


Embora a palavra “empoderamento” só tenha ganhado uso no português brasileiro ao longo dos últimos 10 anos, o espírito que ela resume sempre esteve nas lutas pela equidade de gênero no Brasil. É pensando nesta palavra de tanto significado, além de refletir também sobre a história das mulheres feministas e, claro, sobre as vivências de um presente de desafios e de conquistas, que a BDB Cultural criou uma mesa de debate para comemorar o Dia Internacional da Mulher.

No próprio dia 8 de março, segunda-feira, às 19h, a BDB Cultural realiza o evento “Mulheres empoderadas: diferentes visões, diferentes versões”. Reunindo mulheres de sucesso em diferentes âmbitos profissionais, todas radicadas em Brasília, a mesa contará com as falas da rapper Rebeca Realleza; da professora da UnB Sônia Marise; e da diretora do IBICT, Cecília Leite. A mediação do evento será feita pela coordenadora de atividades digitais da BDB Cultural, Nathalia Kelday.

O debate promete fazer uma celebração do Dia da Mulher que lembre de seu histórico de lutas, mas que também apresente os meios que cada uma delas, em seus respectivos setores, superou as barreiras impostas por sistemas econômicos, educacionais e sociais que privilegiavam a fala masculina. Cada uma das convidadas focando em um aspecto: Realleza no empreendedorismo cultural, Marise na ciência e Leite na organização civil, segundo adianta a mediadora do evento.

“O mundo está passando por uma migração do poderio masculino para o feminino, que deve se consolidar nos próximos 50 anos. Enquanto ainda vivemos a transição, as mulheres encontram muitos desafios para a afirmação profissional e social. Então, nessa mesa, espero descobrir um pouco mais das peculiaridades da perspectiva feminina nos universos do empreendedorismo, da academia e da organização civil e como podemos mudar pequenos hábitos para promover o equilíbrio de gêneros nesses segmentos.”, diz Nathalia Kelday.


Conquistas e batalhas a serem disputadas marcam as falas

Voltando-se ao aspecto acadêmico, a professora Sônia Marise irá tratar das dificuldades enfrentadas por mulheres dentro do ambiente educacional. “Mesmo mulheres de classe média, que conseguem avançar em seus estudos, elas enfrentam muitas dificuldades para serem ouvidas e há áreas do conhecimento em que a presença delas ainda é vista com estranhamento, como as engenharias e os cursos voltados à tecnologia. A mulher tem muitos empecilhos para manter sua carreira acadêmica, muitas vezes na necessidade de sustentar e manter o próprio lar. A responsabilidade da casa ainda está com elas”, diz.

A professora Sônia também aproveita a oportunidade para tratar de suas próprias pesquisas dentro da UnB, incluindo uma análise de dados sobre a alta porcentagem de mulheres em vulnerabilidade social que são obrigadas pelas circunstâncias a empreender. “A situação é, claro, ainda mais dura para as mulheres pobres. Elas são obrigadas, por um sistema que não dá condições de estudo, a empreender em carreiras de força física, empregadas, passadeiras, para sustentar famílias em que a figura masculina é ausente. No mundo em que tudo se mercantilizou, a gente tem que trabalhar o empoderamento do ponto de vista econômico, a liberdade de gerir as finanças sem ser escravo delas, mas isso não é suficiente. O processo educativo é fundamental para construir novas gerações com mais respeito”.

As novas gerações são tema do trabalho da rapper Rebeca Realleza. Ela lançou no ano passado um EP que discute diretamente as vivências da mulher negra e periférica em um diálogo direto com este público-alvo. “Não fiz meu trabalho pensando: tenho que falar de feminismo negro, foi pensando em falar sobre mim. Na minha vivência, eu sempre fui silenciada e o que eu quis foi dar nome aos processos que eu sofri, mas não de uma forma técnica, para a academia. Houve uma academicização da militância. Ela começou a falar uma língua que as pessoas que realmente estão em situações não podem entender. Afastou-se do público-alvo e perdeu diálogo com quem realmente interessa. Eu quero ter liberdade e respeito por necessidades emocionais, concretas. As mulheres querem igualdade econômica para que seus filhos comam, o fim da violência para serem felizes... Acho que precisamos de uma militância mais próxima do quente, da vivência”, diz ela.

Como exercício, Rebeca imagina um mundo daqui 50 anos em que estes temas já estejam melhor trabalhados. “Que crianças, homens, todos possam estar falando sobre feminismo e sendo ouvidos também. Que a gente possa fazer um debate sobre feminismo com homens entrevistados. Porque quando uma pessoa é homofóbica ela é sexista, é racista, é tudo ao mesmo tempo. Esses debates estão interligados, então o combate a eles deve estar também. Uma mulher branca de classe alta pode lutar ao meu lado em tudo, não só do lado do gênero, mas da diversidade sexual, da sustentabilidade... Enfim, que seja um mundo que se escute."

A professora Cecília Leite, diretora do IBICT, faz um exercício imaginativo de futuro muito semelhante a esse. “Eu acho que enquanto o feminismo for uma luta, a gente não chegou lá. Isso tem que ser algo completamente natural. Somos seres da natureza. Em gênero biológico temos características distintas, mas que não são a origem de tantos complexos socias. Por muitos anos, as mulheres que tinham que interpretar papéis masculinos, por exemplo, para ter liberdade. Mas os homens também podem se libertar a partir dessa consonância. Acredito em um futuro de complementaridade de energias, da riqueza que pode dar um trabalho em consonância e colaboração. Eu trabalho com tecnologia, mas não será uma delas que resolverá esse problema. Enquanto não focarmos no humano as coisas não vão andar da forma que devem”, afirma.


Sobre a BDB Cultural

A BDB Cultural é uma iniciativa do governo federal, por meio do Ministério do Turismo, em parceria com a Biblioteca Demonstrativa do Brasil Maria da Conceição Moreira Salles (BDB) e, por meio de um termo de colaboração, com a organização social Voar Arte para a Infância e Juventude. A agenda que o projeto executará na BDB segue até março de 2022.

“Com a BDB Cultural, vamos renovar a prática de ser uma referência a outras bibliotecas do país para que elas possam abrir suas asas para voos mais altos e dar vida aos seus espaços”, diz o coordenador-geral da BDB Cultural, Marcos Linhares.

Para saber mais sobre os próximos cursos e eventos oferecidos, acompanhe as novidades da BDB Cultural no Youtube (https://www.youtube.com/c/BDBCultural ), no Facebook (https://www.facebook.com/bdbcultural ) e no Instagram (https://www.instagram.com/bdbcultural/ ) da iniciativa.


Sobre as convidadas

Cecília Leite é diretora do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT). Possui doutorado em Ciência da Informação pela Universidade de Brasília (UnB, 2003). Em 2002, ao lado de Emir Sauiden, como parte de sua pesquisa de doutorado, desenvolveu uma metodologia de inclusão digital para a inclusão social (Escola Digital Integrada - EDI) que posteriormente se transformou na Lei nº 3275 do Governo do Distrito Federal, tornando obrigatória a sua utilização no ensino público.

Rebeca Realleza é uma rapper de Ceilândia-DF. Ela se tornou uma referência pelas letras de suas canções que exaltavam a periferia sem mascarar nem seus defeitos nem suas qualidades. No ano passado, ela lançou seu primeiro EP, “Afrontosa”, com sete faixas que mesclam as lutas do movimento negro com as do movimento feminista em rimas ágeis.

Sônia Marise é professora de sociologia na Universidade de Brasília (UnB). Pesquisadora nas áreas de inovação, empreendedorismo, economia solidária e tecnologia social, a professora foi diretora de Assuntos Comunitários da UnB e liderou uma série de investigações para coibir ameaças de estupro dentro da instituição. Sua defesa das alunas a tornou uma referência nesta luta.


Serviço:


BDB Cultural – Março de 2021

Mesa de debate com o tema “Mulheres empoderadas: diferentes visões, diferentes versões” com as participações de Rebeca Realleza, Sonia Marise e Cecília Leite. Mediação de Nathalia Kelday.

08/03 - Transmissão gratuita da palestra no Facebook e no Youtube da BDB Cultural às 19h.

Outras informações:

Facebook.com/bdbcultural

Instagram - @bdbcultural

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