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Dia Nacional da Biblioteca é celebrado em debate na BDB Cultural


Formas que a biblioteca adaptou-se a contextos digitais nas escolas e as dificuldades impostas pela pandemia serão tema da palestra

"O livro e a biblioteca escolar” terá a participação de Ana Paula Bernardes, Caroline Lago e Gabriella Santiago nas redes sociais da BDB Cultural no dia 09, às 19h



FOTO; Ana Paula Bernardes - Acervo Pessoal


No imaginário popular, a bibliotecária é uma senhora mal-humorada que gosta mais do silêncio do que de pessoas. Esse estereótipo de vilã está em filmes que vão de Os caça-fantasmas (1984) ao curta brasiliense A vingança da bibliotecária (2006). Essa figura, porém, é distante da realidade da profissão. Quem trabalha em bibliotecas precisa ser atento, prestativo e, principalmente, saber conversar com os leitores para orientá-los, como apontam Ana Paula Bernardes, Caroline Lago e Gabriella Santiago.

Todas três com experiência em escolas e no trato com crianças leitoras, elas participam de um debate na BDB Cultural que será uma homenagem ao Dia Nacional da Biblioteca, que é comemorado em 09 de abril. Nesta mesma data, às 19h, a iniciativa exibe em suas redes sociais um debate com as três sobre o tema “O livro e a biblioteca escolar”. Com mediação do curador de literatura da BDB Cultural, Tagore Alegria, o bate-papo discute tanto as mudanças pelas quais a biblioteca escolar passou na era digital quanto os impactos aprofundados pela pandemia de covid-19 neste contexto de transformação.

A bibliotecária escolar Caroline Lago afirma que a biblioteca está longe dessa visão antiga de templo do silêncio. “A biblioteca é a coisa mais futurista para educação. É um lugar propício para as pessoas aprenderem a aprender. Ela não é só um espaço físico, é um conjunto de serviços para o usuário. É um espaço democratizante, cheio de possibilidades no qual o aluno pode se tornar autônomo e gerir o próprio conhecimento”, diz.

Ana Paula Bernardes, que mantém uma biblioteca comunitária, comparte dessa visão. “Existe um estereótipo da biblioteca que é vista como um lugar de silêncio. Eu não vejo assim. Para mim é um espaço de conversa, de troca. Quando você entra em uma biblioteca não é só para pegar um livro. A biblioteca é um espaço diferenciado para se maravilhar, é um lugar de afeto. Sempre encarei como um lugar que tem que ser o coração da escola”, afirma ela que é cocriadora do projeto Roedores de Livros, que apresenta há 15 anos a literatura de forma divertida para crianças e adolescentes.

Gabriella Santiago, que é bibliotecária escolar, completa a visão das colegas: “A biblioteca transforma vidas, preserva a cultura e é o futuro. Não é um espaço de silêncio, é um lugar de possibilidades.” Essa dinâmica, porém, foi afetada profundamente pela pandemia de coronavírus.

A biblioteca na pandemia


FOTO: Caroline Lago - BDB Cultural - Acervo Pessoal


“Estamos atravessando um momento difícil por causa da pandemia. Mas somos a história, somos a memória e a gente precisa conhecer o nosso passado para não repetir os mesmos erros. Hoje nos adaptamos com a ajuda da tecnologia. Temos feito algumas lives para manter viva a contação de histórias, os projetos literários e o ensino da pesquisa acadêmica”, afirma Gabriella.

A biblioteca criada por Ana Paula Bernardes também passou por dificuldades. “Em 2019 fechamos a biblioteca para as férias e logo depois veio a pandemia, não retornamos e nem sabemos se vamos voltar. São 5 mil livros de literatura na nossa biblioteca, posso dizer que é meu grande legado. O livro que eu lancei no final do ano passado [Tapete vermelho, escrito com Tino Freitas] representa o fechamento desse ciclo. É uma homenagem a todos os mediadores de leitura que contagiam as crianças com o ‘vírus’ do prazer de ler”, diz.

A importância da leitura na formação infantil


FOTO: Gabriella Santiago - BDB Cultural - Acervo Pessoal


“A biblioteca tem um papel fundamental na preservação da cultura para a difusão e não para deixar guardado. Um acervo representativo, afro, indígena, ele traz diversidade e conhecimento de outros universos, daí nos tornamos mais tolerantes, mais plurais, mais humanos. As histórias têm o poder de nos ajudar, de entendermos nossas emoções, você se enxerga e aprende a se comunicar... A leitura no geral nos ajuda a olhar pelo olhar de outra pessoa”, conclui Caroline Lago.

“Tem muitas escolas que se esforçam pra manter as bibliotecas vivas. É uma luta diária. Existe um ditado que diz ‘pra educar uma criança precisa de uma aldeia inteira’. A biblioteca é uma aldeia, eu tenho tudo ali, eu tenho diversidade, eu tenho quem pensa pela esquerda, pela direita. As crianças descobrem as emoções por meio dos livros. Medos, amores e possibilidades. Não existe uma fórmula de como se cria um leitor. Por isso se chama cadeia de livros e a gente tá aqui pra incentivar”, aponta Ana Paula Bernardes.

Sobre a BDB Cultural

A BDB Cultural é uma iniciativa do governo federal, por meio do Ministério do Turismo, em parceria com a Biblioteca Demonstrativa do Brasil Maria da Conceição Moreira Salles (BDB) e, por meio de um termo de colaboração, com a organização social Voar Arte para a Infância e Juventude. A agenda que o projeto executará na BDB segue até março de 2022.

“Com a BDB Cultural, vamos renovar a prática de ser uma referência a outras bibliotecas do país para que elas possam abrir suas asas para voos mais altos e dar vida aos seus espaços”, diz o coordenador-geral da BDB Cultural, Marcos Linhares.

Para saber mais sobre os próximos cursos e eventos oferecidos, acompanhe as novidades da BDB Cultural no Youtube (https://www.youtube.com/c/BDBCultural), no Facebook (https://www.facebook.com/bdbcultural) e no Instagram (https://www.instagram.com/bdbcultural/) da iniciativa.

Sobre as convidadas

Ana Paula Bernardes é escritora, bibliotecária voluntária e cocriadora do projeto Roedores de Livros. Goiana, formada na UnB em artes visuais, é professora da Secretaria de Educação do DF.

Caroline Lago é bibliotecária escolar. Formada na UnB em biblioteconomia, trabalha em um colégio particular em Sobradinho-DF. Não gostava de leitura quando criança por ter dificuldade de concentração. “O encanto com a leitura demorou, mas nunca é tarde para se encantar com esse universo", diz ela.

Gabriella Santiago é bibliotecária escolar. Formada na UnB em biblioteconomia, é bibliotecária em uma escola particular em Sobradinho-DF. Desconhecia o curso de biblioteconomia, até ser apresentada por bibliotecárias do Ministério Público da União (MPU), onde estudava. Fez o vestibular, passou e se apaixonou na primeira aula.

Serviço:

BDB Cultural – Abril de 2021

Palestra com as bibliotecárias Ana Paula Bernardes, Caroline Lago e Gabriella Santiago em comemoração ao Dia Nacional da Biblioteca.

09/04 - Transmissão da palestra “O livro e as bibliotecas escolares” no Youtube e no Facebook da BDB Cultural, às 19h.

Outras informações:

Facebook.com/bdbcultural

Instagram - @bdbcultural

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