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Dia Mundial do Livro terá prospecção de como será o mercado livreiro nos próximos anos


A BDB Cultural celebra o livro com quatro convidados de diferentes ramos do mercado editorial imaginando o que o futuro do livro nos guarda


Participam do evento André Calgaro (Narratix), Leandro Teles (Livraria Leitura), Leonardo Neto (Publishnews) e Vitor Tavares (CBL)


A transmissão será no próprio Dia Mundial do Livro, 23 de abril, às 19h, nas redes sociais da BDB Cultural


FOTO: VItor Tavares - Divulgação CBL


O livro parece estar sempre ameaçado. A chegada de novos meios de informação (especialmente a internet, mas é uma história que vem desde o cinema), além de sucessivas crises econômicas, sociais e editoriais no Brasil... Tudo parece sempre conduzir ao apocalipse em que o livro acabará. Na verdade, porém, quem está diariamente atuando neste meio não tem medo disso.

É o que prova a mesa de debate que a BDB Cultural transmite em suas redes sociais no dia 23, às 19h, em celebração ao Dia Mundial do Livro. Participam do evento André Calgaro (Narratix), Leandro Teles (Livraria Leitura), Leonardo Neto (Publishnews) e Vitor Tavares (CBL), cada um deles representando uma fatia distinta do mercado, mas dividindo a mesma visão: o livro como um todo e mesmo o objeto livro, físico, retangular, ele ainda tem muito futuro pela frente.

Esse tema será discutido pelos quatro na mesa redonda “O futuro do livro e o livro no futuro”. Com mediação de Victor Tagore Alegria, curador de literatura da BDB Cultural, o evento pretende desmistificar ideias como as de que o e-book acabará com o livro e vai trabalhar com ameaças mais concretas, como as dificuldades de recuperar leitores que abandonaram o hábito de ler. Para todas as dificuldades, porém, eles parecem enxergar soluções e veem um futuro brilhante para a edição de livros no país.

O futuro do livro

FOTO: Leonardo Neto - Acervo Pessoal / BDB Cultural


“O livro é um produto tão importante que o futuro dele é sempre se fazer no presente. Não negamos, claro, as dificuldades de ser um profissional do livro hoje, as dificuldades econômicas, as mudanças de comportamento do consumidor. Mas o futuro do livro é de mudança, ele sempre se adapta para se reencaixar no presente, para se adequar ao que a sociedade espera dele. Nós temos que acompanhar ou protagonizar essas mudanças, mas o livro, a profundidade dos debates, ele é sempre atual”, afirma Vitor Tavares, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

“A gente já passou por várias discussões sobre o futuro do livro, esse medo do fim do formato físico. Discutiu-se isso por muitos e muitos anos. Mas o que a gente sabe é que o livro físico vai continuar tendo seu espaço, é um debate já superado. Muito mais do que se será impresso ou não, a discussão agora tem sido sobre onde o leitor compra seus livros, em espaços físicos ou no e-commerce, quem vai comprar, por que preço.... A manutenção do livro como objeto de consumo ela já ficou para trás, é certa”, aponta Leandro Teles, sócio e diretor comercial da Livraria Leitura.

Essa opinião é semelhante à de Leonardo Neto, editor-chefe do PublishNews, portal especializado no mercado editorial. “É possível apontar tendências do futuro e a maior dela é a virtualização das vendas, impulsionada fortemente pela pandemia de covid-19, mas também um crescimento de vendas de livros digitais, um movimento maior na área de audiolivros. São muitas mudanças, mas nenhuma é uma ameaça ao livro físico. Os formatos coexistem, em geral, de forma muito harmoniosa. O livro físico ainda traz status, é um objeto bonito, de fetiche, instagramável. Pode ser que daqui uns 100 anos aconteça como aconteceu com a música, mas não acho que veremos isso. E até a música, veja bem, tem retornado pouco a pouco ao físico, com o fenômeno dos LPs, por exemplo”.

Um dos futuros citados por Leonardo para o livro é o do formato em áudio, coisa em que André Calgaro, da Narratix, é especialista. Sobre o futuro do livro, ele aponta: “Eu trabalhava em uma livraria quando os e-readers entraram no mercado, a gente achou que o Kindle era o apocalipse, mas a gente viu que não era assim. O e-book não canibalizou o mercado, assim como audiolivro não o faz, tudo está trabalhando por uma complementação. O livro tem ganhado novos formatos para se tornar mais inclusivo, para abranger mais perfis de pessoas em relação ao conteúdo. Não é uma competição, é uma colaboração que dará uma vida ainda mais longa”, diz.

O leitor do futuro

FOTO: André Calgaro - Acervo Pessoal - BDB Cultural


Claro que, como qualquer mercado, é preciso ter demanda para haver oferta, então quem melhor determina se livros continuarão existindo é a existência de novas gerações de leitores e a inclusão de pessoas nesse círculo. Esse parece ser o grande desafio para o mercado nos próximos anos, entre todos convidados.

“A gente deve pensar de onde vem o hábito da leitura. Na maioria dos casos é de alguém próximo que lê, que recomenda livros. Na minha situação, era minha avó. Pra muita gente foram séries infanto-juvenis, como Harry Potter, que começaram por ver amigos lendo... A gente precisa dessas âncoras, incentivar a leitura em casa, na escola, em iniciativas públicas. É preciso incentivar um ecossistema”, afirma André Calgaro.

“Houve uma queda muito grande no número de leitores nos últimos anos. A gente perdeu na indústria da atenção, são livros concorrendo com séries, com celulares, com notícias. É mais um problema de tempo do que de interesse. Então o livro tem buscado dialogar, especialmente com os pequenos leitores, para garantir que haja um futuro, uma próxima geração interessada, e ações para tornar o livro popular e acessível economicamente. Todos sabem que é preciso tornar o livro sexy, é preciso prender o leitor, e estão sendo procuradas alternativas para isso”, aponta Leonardo Neto.

FOTO: Leandro Teles - Acervo Pessoal - BDB Cultural


“O mercado perdeu leitores e continua não dando tratamento que o leitor merece. Mais uma pista disso é a recente ameaça da tributação de livros no país. Socialmente, o livro não está sendo visto como uma prioridade, mas na vida das pessoas sim. O público infantil, o juvenil, eles têm mostrado muito interesse pelo livro. A fase da adolescência, que passava por um vácuo de leitura, tem crescido de forma muito constante. E também o que a pandemia nos mostrou é que o interesse pelo livro como objeto de conhecimento, de entretenimento, ele permanece, basta incentivar”, sustenta Leandro Teles.

“O livro depende muito dos leitores, mas observamos que temos leitores e que temos potencial para ter mais. O Brasil é um país de produção muito rica e muito diversa. Publicamos todos os anos livros de vanguarda no formato e no conteúdo, como se nota pelo fenômeno editorial de livros que falam de minorias e de condições sociais. O livro vai seguindo o momento que vivemos, o compasso da sociedade. Então o livro está sempre junto do cidadão. O leitor é o principal formador da demanda do que vai produzir, quem determina o futuro do livro é o próprio leitor. Quanto mais gente ler, mais plural será o futuro”, conclui Vitor Tavares.

Sobre a BDB Cultural

A BDB Cultural é uma iniciativa do governo federal, por meio da Secretaria Especial de Cultura, do Ministério do Turismo, em parceria com a Biblioteca Demonstrativa do Brasil Maria da Conceição Moreira Salles (BDB) e, por meio de um termo de colaboração, com a organização social Voar Arte para a Infância e Juventude. A agenda que o projeto executará na BDB segue até março de 2022.

“Com a BDB Cultural, vamos renovar a prática de ser uma referência a outras bibliotecas do país para que elas possam abrir suas asas para voos mais altos e dar vida aos seus espaços”, diz o coordenador-geral da BDB Cultural, Marcos Linhares.

Para saber mais sobre os próximos cursos e eventos oferecidos, acompanhe as novidades da BDB Cultural no Youtube (https://www.youtube.com/c/BDBCultural), no Facebook (https://www.facebook.com/bdbcultural), Instagram (https://www.instagram.com/bdbcultural/) e no site www.bdbcultural.com.br da iniciativa.

Sobre os convidados

André Calgaro é fundador e CEO da Narratix, uma produtora e editora de audiolivros especializada na adaptação de obras literárias para o formato de áudio, criada em 2019. É produtor, narrador e engenheiro de áudio com mais de uma década de experiência no mercado de livros. Além de ser também um pesquisador do universo de áudio digital e de áudio entretenimento.

Leandro Teles Corrêa é sócio e diretor comercial da Livraria Leitura.

Leonardo Neto é jornalista e, desde 2014, é editor-chefe do PublishNews, portal de informações e de notícias sobre o mercado editorial brasileiro. Em 2019, compôs o júri do Prêmio Jabuti na categoria Fomento à Leitura. Em 2020, publicou o livro "100 nomes da edição no Brasil" (Oficina Raquel), que perfila cem editores que fizeram a história da indústria editorial no país.

Vitor Tavares é um dos fundadores da distribuidora e livraria Loyola, especialista na distribuição de livros teológicos, filosóficos e de educação. Em 2021, Vitor foi reeleito para a presidência da Câmara Brasileira do Livro (CBL), cargo que ocupa desde 2019.

Serviço:

BDB Cultural – Abril de 2021

-Mesa de debates especial celebra o Dia Mundial do Livro com o tema “O futuro do livro e o livro no futuro”. Evento contará com participações de André Calgaro (Narratix Audiolivros), Leandro Teles (Livraria Leitura), Leonardo Neto (Publishnews) e Vitor Tavares (CBL).

23/04 - Transmissão no Facebook e no YouTube da BDB Cultural, às 19h.

Outras informações:

Facebook.com/bdbcultural

Instagram - @bdbcultural

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