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Dia da Poesia terá celebração com bate-papo com mulheres poetas


BDB Cultural recebe as poetas Amneres Santiago, Noélia Ribeiro e Raquel Naveira para falar sobre o seu ofício

Mesa será realizada no dia 21, Dia da Poesia, às 17h, e reúne apenas mulheres poetas que discutirão também a influência do gênero na poética



FOTO: Raquel Naveira - Foto Di Bonetti - Acervo Pessoal


A poesia é feita de palavras e de emoções. É curioso que embora os sentimentos estejam associados mais às mulheres que aos homens, a poesia, essa expressão do sentir, não tenha guardado um lugar de destaque para produções femininas. Justamente o contrário do que fará a BDB Cultural neste Dia Mundial da Poesia, celebrado em 21 de março.

Apesar de milenares referências, como a obra de Safo, as poetas foram associadas na história da literatura aos “versinhos de amor”, como diz Raquel Naveira, "como se fossem coadjuvantes”, completa Noélia Ribeiro, “diminuídas em um mundo evidentemente masculino”, conclui Amneres Santiago.

Essas três mulheres têm muito a dizer sobre a poesia e sobre as mulheres contemporâneas que assumiram seu lugar neste círculo — não como poetisas, mas como poetas, discussão da qual elas também tratam em uma roda de conversa que terá lugar na agenda da BDB Cultural no domingo, dia 21, às 17h.

O evento, regado com a leitura de poemas de cada uma delas, ocorre como uma celebração do Dia da Poesia, e justo no dia 21. A data foi escolhida pela Unesco em 1999 para ser um recordatório da capacidade que a poesia tem de “socializar, estruturar um indivíduo e transmitir valores essenciais”, além de uma oportunidade de enaltecer produções regionais — como faz a BDB Cultural nesta roda de conversa.

A transmissão do mix de bate-papo e leitura poética com as poetas Amneres Santiago, Noélia Ribeiro e Raquel Naveira será nas redes sociais da BDB Cultual, no Facebook e no Youtube. A mediação do debate é do editor de livros e curador literário da iniciativa, Tagore Alegria.

O lugar do gênero na poesia


FOTO: Amneres Santiago - Acervo Pessoal


“Poesia não tem gênero”, assim começa a entrevista com a poeta Amneres Santiago — autora de nove livros e conhecedora do assunto. “Quanto melhor o poeta, melhor o estilo dele. Então, claro, uma poesia de Adélia Prado é de Adélia, a gente reconhece ao ler, mas isso não significa que é uma ‘poesia de mulher’, feminina. Isso não deixa de ser um preconceito, afinal não existe uma poética masculina, ninguém diz que alguém escreve ‘poema de homem’. Hoje a mulher pode viver em um mundo menos traumático, inclusive na literatura, mas ainda existe muita desigualdade, muita violência, então a coisa se confunde. A luta está presente na nossa vida, portanto aparece na nossa poesia. Mas isso não é o que a define”, diz.

Noélia Ribeiro vai em uma linha semelhante à de Amneres. “Ainda é necessário criar esse nicho, ´poesia feminina’, embora o talento não tenha sexo. A literatura não deveria ter as caixinhas, mas elas foram necessárias para transpor barreiras, foi preciso, e ainda é, formar tribos para se fazer notar, para trazer foco a esses nomes, que ficam perdidos no bolo, que individualmente poderia ser apagado, mas que no coletivo criou uma força”, afirma ela.

Essa adoção do gênero humano, feminino, como um gênero poético, poesia feminina, também entra na fala de Raquel Naveira. “As mulheres durante muito tempo esconderam seus escritos, então era preciso que se rompesse, se encontrasse uma posição para ressaltar a nossa produção, nossa sensibilidade. Tratar de poesia feminina nos dá um destaque maior. Não gosto muito de guetos, acho que a boa poesia é universal, mas a gente consegue a universalidade a partir da individualidade bem representada. O mundo ao redor de quem escreve sem dúvida deixa marcas na poesia e certas vivências só são alcançadas pela mulher”, conclui ela.


Afinal, poeta ou poetisa?

FOTO: Noélia Ribeiro - Acervo pessoal


Outro debate que ocupará as conversas entre as leituras de poemas de cada uma das convidadas é uma discussão que esteve especialmente presente nas rodas de literatura ao longo dos últimos 10 anos: a recusa ao título de poetisa. Curiosamente, as três convidadas não consideram o termo desconfortável — “até gosto do parentesco que ele traz com sacerdotisa”, diz Naveira —, mas enaltecem em suas falas a importância da discussão que está por trás desse debate aparentemente banal, que é a equiparação da potência criativa de uma mulher poeta à de um homem.

“Esse debate marca uma mudança que veio antes, a questão do nome é posterior. Como a mulher foi tomando seu lugar, como escritora e como muitas outras coisas, fomos caminhando em direção ao termo poeta, já que o poetisa remete a esse conceito menor. Essa é exatamente a intenção de mulheres que se chamam poeta, não é só o nome. Tenho um amigo, inclusive que diz, ‘poetos e poetas’, para marcar que é a equiparação o que importa”, diz Noélia.

“Não há dúvidas de que a palavra poeta tem uma carga muito maior, é mais significativa. O poeta, a poeta, é comum aos dois e não deveria ser motivo de debate. Eu me incomodo, sempre me incomodei com a exclusão e acho que a poesia é um exercício de aceitação de si, do outro. O que é importante não é o poeta, a poeta, mas seu trabalho, não peço para que eu seja algo que vá além de ser um instrumento da poesia”, afirma Raquel Naveira.

Poesia e pandemia

Por fim, outro debate que promete ter seu espaço na mesa é o da função da poesia, em especial diante do contexto da pandemia de coronavírus e uma renovada relação do público com a arte. “Para quê poesia existe do ponto de vista pragmático? Poesia é marginal e os poetas são vistos como seres estranhos, sem utilidade em uma sociedade tão utilitária. Mas todas as grandes mudanças vieram do pensamento, ainda antes da escrita, vieram da reflexão. A reflexão, o pensamento, essa é a poesia. É isso que revoluciona. Ela não é utilitária, mas é essencial. Profundamente útil”, diz Amneres.

“Nesse sentido, a poesia não tem um valor utilitário, mas também salvou, mantendo entre aspas este ‘salvamento’, já que poesia é só um caminho, não a conclusão. Sem dúvida, porém, essa proximidade inédita com os artistas dada durante a pandemia levou a uma democratização, a uma proximidade quase íntima. Salvou do tédio, da tristeza e da depressão desse período”, diz Noélia.

“Agora, em época de pandemia, tivemos oportunidade para fazer tantas leituras, tantos debates e isso não morre nunca, o pensamento, assim como a poesia. A poesia sobrevive e se renova. Um gesto, uma lágrima, um sorriso, tudo isso é poesia. Ela está viva e devemos celebrar a vida”, conclui Raquel.

Sobre a BDB Cultural

A BDB Cultural é uma iniciativa do governo federal, por meio do Ministério do Turismo, em parceria com a Biblioteca Demonstrativa do Brasil Maria da Conceição Moreira Salles (BDB) e, por meio de um termo de colaboração, com a organização social Voar Arte para a Infância e Juventude. A agenda que o projeto executará na BDB segue até março de 2022.

“Com a BDB Cultural, vamos renovar a prática de ser uma referência a outras bibliotecas do país para que elas possam abrir suas asas para voos mais altos e dar vida aos seus espaços”, diz o coordenador-geral da BDB Cultural, Marcos Linhares.

Para saber mais sobre os próximos cursos e eventos oferecidos, acompanhe as novidades da BDB Cultural no Youtube (https://www.youtube.com/c/BDBCultural), no Facebook (https://www.facebook.com/bdbcultural) e no Instagram (https://www.instagram.com/bdbcultural/) da iniciativa.

Sobre as convidadas

Amneres Santiago é escritora e jornalista. Publicou 10 livros, nove de poesia e um de crônicas sobre Brasília. É natural de João Pessoa, “sou da beira do mar”, diz ela, mas vive há décadas na capital do país.


Noélia Ribeiro é poeta. Pernambucana, ela mora em Brasília desde 1972. Autora de quatro livros de poesia e presença constante em coletâneas e em saraus poéticos que acontecem em todo o país.


Raquel Naveira é uma poeta, professora universitária e crítica literária sul-mato-grossense. Escreveu mais de 20 livros indo da poesia ao romance, passando por livros de crônicas.

Serviço:

BDB Cultural – Março de 2021

Mesa de celebração do Dia da Poesia com as poetas Amneres Santiago, Noélia Ribeiro e Raquel Naveira. Mediação de Tagore Alegria.

21/03 - Transmissão gratuita da palestra no Facebook e no Youtube da BDB Cultural às 17h.

Outras informações:

Facebook.com/bdbcultural

Instagram - @bdbcultural

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