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As Januárias, grupo que mostra a força da mulher no forró, se apresenta na BDB


  • Trio que inova e ao mesmo tempo respeita as tradições do forró faz um show especial nas redes da BDB Cultural na sexta-feira, dia 14


FOTO: As Januárias - Magda Caroline - Divulgação

Em uma das canções mais conhecidas de Luiz Gonzaga, repete-se: “Lui, respeite Januário”. É um clamor para que aceitem outras formas de fazer forró. Pois é justamente pedindo o fim dos preconceitos com diferentes jeitos de fazer música e, especialmente, com a presença feminina na música nordestina que as irmãs Mayra Barbosa, Mayara Barbosa e Sidcléa Cavalcanti criaram um trio forrozeiro. Tendo essas demandas, nada mais justo que se chamar As Januárias, banda que traz seu forró com violão para as redes sociais da BDB Cultural na sexta-feira, dia 14, às 19h, na edição de maio do “BDB é Show!”. O grupo é ao mesmo tempo inovador e tradicional. É inovador por ser composto por três mulheres jovens que buscam suas referências musicais na história do ritmo e não nos ramos mais recentes. Mas é tradicional por ser um grupo que marca a presença feminina no forró — uma constante desde os primórdios, mas que sofreu um apagamento histórico, como elas defendem — e também por interpretar canções tradicionais sem contar com a sanfona em seu repertório. Quem explica o mix livre de preconceitos e repleto de muita pesquisa histórica que faz as Januárias é Sidcléa Cavalcanti, o ponto fora da curva. Professora das gêmeas Mayra e Mayara, ela se tornou uma irmã postiça de ambas e é ela quem introduziu o violão no trio. “O forró sempre teve outros instrumentos, o pífano, o melê, o fole de oito baixos — também conhecido como pé de bode, instrumento de Seu Januário, pai de Gonzagão —, e até o pandeiro. A ideia do trio liderado pela sanfona veio com a urbanização proposta por Luiz Gonzaga, por ser muito enxuta, mais fácil de transportar. Ela é de fato riquíssima e acabou associada à identidade forrozeira, mas não é a única. Nós perdemos trabalho por não ter sanfona, o que é uma bobagem. Hoje em dia há diversas instrumentações, há forró eletrônico, o próprio Gonzaga usou guitarra, baixo, flauta. O forró é uma música muito diversa e eu, que sou professora de violão, me graduei nesse instrumento, sempre tive facilidade de encaixá-lo nessa mistura”, diz.

O posicionamento d’As Januárias em defesa da presença feminina no forró também passa por uma argumentação histórica, mostrando que a visão do nordestino como masculino é uma ideia que se construiu ao longo do tempo e que a realização da força do povo também em um aspecto feminino tem ganhado maior espaço — o que culmina até em figuras como Juliette, do BBB. “O signo nordestino ainda é muito patriarcal, é o ‘cabra macho’, o cangaço, o resistir, a natureza seca. A mulher, que ainda é vista como um símbolo frágil, ficamos em um ponto periférico nessa estrutura. Mas o feminino sempre esteve na cultura nordestina, no forró. Canções como ‘Feira de Mangaio’, costumam ser citadas como sendo de Sivuca, mas é uma parceria dele com Glorinha Gadelha, sua esposa. ‘Eu só quero um xodó’ é de Dominguinhos com Anastácia, uma figura fundamental do forró que foi apagada. É uma luta diária recriar esse laço e as Januárias e os grupos femininos tem buscado restaurá-la”, afirma.

Para o repertório do show, o grupo apresenta canções que pesquisaram de alguns destes ícones femininos do forró: Marinês, a primeira mulher nordestina líder de uma banda de forró, de Anastácia, de Clemilda, mas passando também por Gonzagão, Alceu Valença e pelas canções autorais da banda, como a música “Eu sou Janu”, que fala justamente dos espaços ocupados pela mulher na sociedade.

Sobre a BDB Cultural

A BDB Cultural é uma iniciativa do governo federal, por meio da Secretaria Especial de Cultura, do Ministério do Turismo, em parceria com a Biblioteca Demonstrativa do Brasil Maria da Conceição Moreira Salles (BDB) e, por meio de um termo de colaboração, com a organização social Voar Arte para a Infância e Juventude. A agenda que o projeto executará na BDB segue até março de 2022.

“Com a BDB Cultural, vamos renovar a prática de ser uma referência a outras bibliotecas do país para que elas possam abrir suas asas para voos mais altos e dar vida aos seus espaços”, diz o coordenador-geral da BDB Cultural, Marcos Linhares.

Para saber mais sobre os próximos cursos e eventos oferecidos, acompanhe as novidades da BDB Cultural no Youtube (https://www.youtube.com/c/BDBCultural), no Facebook (https://www.facebook.com/bdbcultural), Instagram (https://www.instagram.com/bdbcultural/) e no site www.bdbcultural.com.br da iniciativa.

Sobre As Januárias

O trio “As Januárias” é um grupo feminino de forró criado no ano de 2017 pelas irmãs Mayra Barbosa, Mayara Barbosa e Sidcléa Cavalcanti. A banda surgiu com a proposta de fazer forró com uma formação instrumental diferente da convencional, utilizando violão em vez de sanfona para combinar com a zabumba e o triângulo/agogô. O projeto é formado por mulheres e busca exaltar a força e o protagonismo feminino em um meio ainda predominantemente masculino como o forró, tocando repertório de nomes expoentes como Marinês, Anastácia, Elba Ramalho, Clemilda, Lia de Itamaracá e Selma do Coco. Em seu trabalho autoral, o trio mescla influências que vão do forró ao maracatu, com letras que tratam de temas contemporâneos como as conquistas e lutas das mulheres na sociedade. As Januárias buscam fazer forró para o público jovem, mas sem deixar de exaltar a tradição.

Serviço:

BDB Cultural – Maio de 2021

"BDB é Show!” com o forró de As Januárias.

14/05 - Transmissão no Youtube e no Facebook da BDB Cultural, às 19h.

Outras informações:

Site www.bdbcultural.com.br

Facebook.com/bdbcultural

Instagram - @bdbcultural

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